O ceú cintilava as cores do universo e tudo começava a clarear como se janelas estivessem sendo abertas nas manhãs de sol e vento enquanto o voo dos pássaros mostravam direções.
Sobre as folhas que escreviam o simples,fez do entardecer,vestígios para novos luares e olhares.Passou a sonhar,assim como as árvores velhas sonham em algum dia serem vistas com lentidão e apreço...
Certa vez,ouvira uma delas contar tal sonho a um graveto que estava nas mãos de um velhinho que caminhava.O graveto estava quase no fim,reclamava de dores,enquanto a árvore o enchia de palavras belas,fazendo com que reconhecesse que as mãos que o seguravam não era por maldade e sim por necessidade de ter em quê se apoiar ao longo dos passos.E o sonho daquela árvore não era virar papel para lindos poemas e sim que os casais voltassem a escrever seus nomes nos troncos,enfeitados com corações que mais tarde,viriam ser seu próprio coração.Era também ser sombra para jovens sedentos de sabedoria ou almas insaciáveis buscando paz.
Algo ali,diria quase tudo,chegava a ser impossível diante de seus olhos.A lembrança do sonho da árvore o fez respirar com mais profundidade.
Que dirá um sonho que insiste em não morrer,quando estiver faltando segundos para o vento não mais dar prazer à pele?
Acordava na grama pensando nos sonhadores que morrem sem responder devida pergunta.
Os cacos rasgavam o véu nas madrugadas de desesperança.E as melodias dos pássaros transformavam seus ouvidos em uma caixinha secreta de músicas que ninguém nunca ouviu.
Era árvore e outrora fora graveto.Debaixo da chuva era arco-íris repintado no céu de cartolina que se dividia quando os aviões passavam.Era terra molhada esperando semente.Era semente sentindo dor para dar frutos.Era dor com sorriso forçado,sem perceber que em seu interior havia sorrisos sinceros prontos para passear e criar onomatopéias delirantes aqui fora.
Era sonho tentando responder em seu último suspiro.E era fio de nuvem,dando forma aos desenhos que contornavam sua vida.
Ana,foto e texto.

