Marmita*

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

letras desertas no papel de pão.
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desertos sem letras por falta de pão.

(...)

Parênteses

Domingo, 7 de Junho de 2009

"-Que bom estar de volta!- diz o vai-e-vem blogspótico."

Abro aqui um parênteses para agradecer ao Mauri(Page not Found) cuja beleza de suas palavras fazem com que sua página seja encontrada apenas por aqueles que de fato apreciam a poesia.Obrigada por, mesmo aos sumiços,me presentear!
Então repasso este selo para:

Dani - Retratos,Cores e Silêncio
David Monsores - Caderno Alternativo
Paulo - Coisas do Chão




Abraços e poesia sempre!


Ana Raquel

Canto de saudade

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Era de canto que o homenzinho vivia.E de mexilhões no peito que amava sem querer.Era de invento que soprava as notas e virava canção de sonho.Não dava passos que completassem perguntas, revirava interiormente em mil.E cantava.Como pássaro azul em fotografia negra.Cantava como criança de açúcar em lágrimas temperadas com sal.Sentia escuridão em seus desejos...mas qual de nossos desejos não há toques de nãos que anseiam por si só serem pretos e vazios,quando estão próximos das realizações?
Seus ombros suportavam os gritos e os sussurros falhos de uma vida incerta,cheia de pretéritos imperfeitos e incompletos,fantasiando-se de futuros ladrões.Roubavam pétalas de seu jardim.E as flores tornavam-se nuas,fazendo doer a solidão e a saudade de uma cor numa pétala da alma.
- Dá-me cores para colorir meu peito? - dizia a si mesmo,sem saber que ali dentro havia algo além do que um arco-íris,esperando passar a chuva para ser contemplado,sob os resquícios de um sentimento iluminado por raios de sol.



A todos os artistas que passaram por mim e deixaram desenhos e cores inapagáveis.

Amargo tempo

Sexta-feira, 10 de Abril de 2009


noite minha
multiplica os segundos.

eu cá dentro,
viro estação.

somo o só
e me resulto

difuso.

e a doce infância
balança meu sonho.
o amargo tempo
corre bêbado
.
o triste verso
sorri incompleto

gritando pelo dilúculo.



Na fotografia,Rafaela e Jéssica vivendo sorrisos em tempo doce.

Cacos entre aspas

Domingo, 5 de Abril de 2009

Por: Ana Raquel e Felipe Martins.
(04/01/2009)

O verso quebra
a última garrafa
de ser,que torna-se vazia,
sem sabor e sem valor.

Os cacos rasgam
a garganta que grita
e se afoga nas águas
salgadas do oceano interior.

As horas tornam-se areia,
que se desfaz e
com a ajuda do vento
atinge olhares e
foge dos lugares
onde o destino quer deitar.

A alma acorda,
e do sonho
não se lembra mais...

E agora é verso, é verbo, é dia
É triste, é nada, é alegria
Mas no entanto, vaguei tanto
pra me encontrar, te encontrar
na poesia.

s2



Conheça a beleza e a sensibilidade dos versos do poeta Felipe Martins:
http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=14628

Interstício

Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Céu é espelho do mar em noite de solidão.
E aí,as estrelas escondem-se no fundo.


Ana Raquel

Rabiscos

Domingo, 22 de Março de 2009

Vi sombras apagadas
dentro de minha tela avessa.
Pensei que poderia criar colorido
um ponto de vida,
e então o lápis me pegou:

Fez horizontes,dias e memórias.
E virei memória,
chorei horizontes,
e atrasei os dias.





Imagem:Dizziness,Iman Maleki.

Varal

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

A menina entardecida de cachos de sol
disse-me com luz nos lábios
que certas gotas de tempestade secam.
Desde então,passei a não mais esperar
o tempo bom para lavar algum sonho.
Agora,entendo-me e estendo-me.

Quase sono,de repente sonho.

Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

O ceú cintilava as cores do universo e tudo começava a clarear como se janelas estivessem sendo abertas nas manhãs de sol e vento enquanto o voo dos pássaros mostravam direções.
Sobre as folhas que escreviam o simples,fez do entardecer,vestígios para novos luares e olhares.Passou a sonhar,assim como as árvores velhas sonham em algum dia serem vistas com lentidão e apreço...
Certa vez,ouvira uma delas contar tal sonho a um graveto que estava nas mãos de um velhinho que caminhava.O graveto estava quase no fim,reclamava de dores,enquanto a árvore o enchia de palavras belas,fazendo com que reconhecesse que as mãos que o seguravam não era por maldade e sim por necessidade de ter em quê se apoiar ao longo dos passos.E o sonho daquela árvore não era virar papel para lindos poemas e sim que os casais voltassem a escrever seus nomes nos troncos,enfeitados com corações que mais tarde,viriam ser seu próprio coração.Era também ser sombra para jovens sedentos de sabedoria ou almas insaciáveis buscando paz.
Algo ali,diria quase tudo,chegava a ser impossível diante de seus olhos.A lembrança do sonho da árvore o fez respirar com mais profundidade.
Que dirá um sonho que insiste em não morrer,quando estiver faltando segundos para o vento não mais dar prazer à pele?
Acordava na grama pensando nos sonhadores que morrem sem responder devida pergunta.
Os cacos rasgavam o véu nas madrugadas de desesperança.E as melodias dos pássaros transformavam seus ouvidos em uma caixinha secreta de músicas que ninguém nunca ouviu.
Era árvore e outrora fora graveto.Debaixo da chuva era arco-íris repintado no céu de cartolina que se dividia quando os aviões passavam.Era terra molhada esperando semente.Era semente sentindo dor para dar frutos.Era dor com sorriso forçado,sem perceber que em seu interior havia sorrisos sinceros prontos para passear e criar onomatopéias delirantes aqui fora.
Era sonho tentando responder em seu último suspiro.E era fio de nuvem,dando forma aos desenhos que contornavam sua vida.



Ana,foto e texto.

O passeio.

Domingo, 1 de Fevereiro de 2009



Meu passeio das onze
corre
para o lado de fora do ponteiro
e estes olhos que seguram o rosto,
carregam mãos calejadas
que gritam e se desesperam
durante os passos que caminham sós,
flutuando no barulho do vento
que se perdera ontem
entre os corpos e o cinza
que cobre o mundo.

O gosto amargo que provo

me faz deitar
enquanto aqui dentro
ainda falta algo
que possa sentar-se ao meu lado
e entender comigo,aonde devo chegar.


Ana,foto e texto.